Ambulantes protestam novamente contra Programa Tolerância Zero

Evento na Escadaria Selarón

Trabalhadores ambulantes organizaram um protesto na Escadaria Selarón, localizada no bairro da Lapa, no centro do Rio de Janeiro, no dia 4 de agosto de 2026. O ato público tem como motivação principal a contestação ao Programa Tolerância Zero, que limita as atividades de venda de produtos por ambulantes, e busca por um diálogo com as autoridades locais. O evento ocorreu logo após o governo local anunciar a terceira fase desse programa, que visa intensificar a fiscalização na orla da Zona Sul.

Na manifestação, os ambulantes se reuniram em frente à famosa escadaria, que é um ponto turístico emblemático da cidade. Armados com panelas para fazer barulho, eles expressaram suas insatisfações por meio de palavras de ordem e cartazes que destacavam suas reivindicações, como “camelô é trabalhador” e “arte não é crime”. A presença em um local de grande visibilidade visa atrair a atenção do público e da mídia para suas causas.

Pedidos dos Ambulantes

O Movimento Unido dos Camelôs (Muca) foi uma das organizações que mobilizou os manifestantes, enfatizando a necessidade de negociação com a prefeitura para a criação de políticas públicas eficientes. Os ambulantes exigem um entendimento que promova um equilíbrio entre o ordenamento urbano e o direito ao trabalho, já que sentem-se impedidos de exercer sua atividade desde o dia 6 de julho, data em que as restrições do programa começaram a valer de forma mais rigorosa.

O grupo acredita que a regulamentação do trabalho dos ambulantes deve considerar não apenas os interesses estéticos ou de segurança da cidade, mas também a importância econômica e cultural que esses trabalhadores representam. O movimento pede uma abordagem que valorize a função desempenhada pelos camelôs na dinâmica socioeconômica da região, ressaltando que muitos dependem dessa atividade para a sua subsistência.

Objetivos do Programa Tolerância Zero

O Programa Tolerância Zero, conforme anunciado pela administração municipal, tem como premissas principais o combate à exploração ilegal do espaço público e a organização da ocupação urbana nas áreas de maior fluxo de turistas e moradores. Tornado mais visível com a ampliação de sua fiscalização, o programa aumenta a presença de fiscais na zona da orla e em áreas adjacentes que foram consideradas problemáticas.

Na prática, isso significa que o trabalho de ambulantes que atuam de maneira irregular, sem a devida autorização, é alvo de uma abordagem mais contundente. A ideia é proporcionar um espaço público que seja seguro e acessível a todos, além de coibir práticas que poderiam comprometer a imagem turística da cidade.

Reações da Prefeitura

Ainda não houve uma resposta oficial da Prefeitura do Rio ao protesto dos ambulantes até o momento do fechamento deste artigo. A gestão municipal já havia anunciado publicamente a nova fase do programa, que será implementada em áreas adicionais, como a Avenida Nossa Senhora de Copacabana e a Avenida Rainha Elizabeth. Esta expansão da fiscalização promete cobrir mais regiões conhecidas por abrigarem uma grande concentração dos trabalhadores ambulantes.

Essa falta de diálogo com os representantes dos ambulantes e a continuidade de ações repressivas geram frustração entre os trabalhadores, que acreditam que a forma como o programa é conduzido ignora a complexidade da situação deles e não propõe soluções que considerem as necessidades reais dessa população.

Impactos nas Atividades dos Ambulantes

A implementação do Programa Tolerância Zero teve um impacto significativo no cotidiano dos vendedores ambulantes. Desde a sua execução, muitos trabalhadores relatam dificuldades para obter sua renda, uma vez que as operações de fiscalização resultaram em apreensões de mercadorias e em ameaças à continuidade de suas atividades.

Além da restrição do trabalho, os ambulantes enfrentam uma estigmatização social, onde são frequentemente vistos como um problema ao invés de uma parte da solução para a dinâmica urbana. Neste sentido, os protestos visam não apenas reivindicar o direito ao trabalho, mas também buscar um reconhecimento social do seu papel cultural e econômico na cidade.

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Histórico de Protestos

Os protestos realizados por ambulantes não são uma novidade e têm acontecido em diferentes momentos desde que o Programa Tolerância Zero foi anunciado. Em 8 de julho, mais de uma centena de trabalhadores havia se reunido em frente à Prefeitura do Rio para contestar a criação do programa. As mobilizações cresceram ao longo do tempo, com novos atos sendo organizados em pontos estratégicos como o Copacabana Palace, evidenciando a insatisfação crescente da categoria.

A repressão às manifestações também tem sido um tema recorrente. Em várias ocasiões, os policiais militares foram convocados para dispersar os manifestantes, utilizando gás lacrimogêneo e sprays de pimenta, o que acabou levando a um aumento da tensão entre os trabalhadores e as forças de segurança.

Apoio ao Patrimônio Cultural

Os ambulantes não são apenas vendedores; muitos se consideram parte do patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro. A diversidade de produtos que oferecem reflete a cultura local, desde comidas típicas até artesanato, contribuindo para a identidade carioca. Por isso, a luta por direitos e pelo reconhecimento de sua função se torna ainda mais significativa.

A afirmação de que “sem artesãos a escadaria perde sua alma” evidencia o sentimento de que a presença desses trabalhadores agrega valor ao patrimônio turístico, e que é necessário encontrar maneiras de integrá-los ao espaço urbano de forma legal e respeitosa.

Desafios Enfrentados pelos Ambulantes

A luta dos ambulantes traz à tona uma série de desafios. A insegurança econômica é uma das principais preocupações, uma vez que muitos deles dependem inteiramente da venda nas ruas para se sustentar e manter suas famílias. Além disso, a falta de um suporte governamental efetivo, que ofereça alternativas viáveis de trabalho, agrava ainda mais a situação.

Além das dificuldades financeiras, a estigmatização e o registro negativo da atividade de ambulantes em veículos de comunicação contribuem para a marginalização desses trabalhadores. O desafio é reverter essa imagem e conquistar o respeito e a dignidade que merecem.

Propostas para um Novo Diálogo

Uma das propostas centrais do movimento dos ambulantes é a busca por um novo diálogo com a Prefeitura do Rio que permita a criação de um espaço seguro para suas atividades. Ao invés de uma abordagem repressiva, os trabalhadores pedem uma conversa que resulte em soluções efetivas, como a criação de áreas demarcadas onde possam exercer seu trabalho de forma regulamentada.

Além disso, sugerem a implementação de cursos e programas que ajudem a legalizar suas atividades e a aumentar a segurança do espaço público. O foco deve ser no fortalecimento da economia local, criando um ambiente colaborativo entre vendedores e a prefeitura.

Possíveis Soluções para a Situação dos Ambulantes

Embora o programa atual vise eliminar a ocupação irregular, alternativas mais inclusivas poderiam ser exploradas para acomodar as atividades dos ambulantes sem comprometer a estética urbana. Considerando a rica diversidade cultural que eles representam, a proposta de criar zonas de atividade regulamentada deve ser considerada, onde os ambulantes possam trabalhar com segurança e sem medo de apreensões.

O fortalecimento de campanhas que promovam a importância do trabalho dos ambulantes na cultura carioca também é essencial. Com o apoio de políticas públicas mais sensíveis e inclusivas, será possível encontrar um equilíbrio entre a ordem urbana e o direito ao trabalho, garantindo assim um convívio harmonioso entre todos os cidadãos.